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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Enquanto o julgamento não é concretizado, a chacina continua. Agora no Congo.













Ainda trabalha-se para julgar os culpados pelo massacre de Ruanda. Até 2001, 3 mil foram julgados, com 500 penas máximas.
Paul Kagame ficou como vice-presidente e Pasteur Bizimungu como presidente mas, em 2000, os dois homens fortes entraram em conflito, Bizimungu renunciou à presidência e Kagame ficou como presidente. Em 2003, Kagame foi finalmente eleito para o cargo, no que foram consideradas as primeiras eleições democráticas depois do Genocídio. Entretanto, cerca de 2 milhões de hutus refugiaram-se na República Democrática do Congo, com medo de retaliação pelos tutsis. Muitos regressaram, mas conservam-se ali milícias que têm estado envolvidas na guerra civil daquele país

Os tutsis e os hutus no território congolês.

Para destituir Mobutu do poder, Kabila, pai do atual presidente congolês, contou com a colaboração dos ruandeses e dos ugandeses. Depois da vitória, os militares desses dois países não queriam mais sair da RD do Congo, disputando a posse da terra, uma vez que o território deles é extremamente pequeno e porque essas etnias afirmam serem suas essas terras congolesas. Principalmente as terras dos Grandes Lagos. Durante dias, eles lutaram na RD do Congo, principalmente na região norte e leste, matando milhares e milhares de congoleses. A intervenção da ONU estabeleceu uma paz frágil. Os tutsis de Ruanda continuaram apoiando um general congolês revolucionário, Nkunda, e os hutus continuaram atacando as populações da região do Kivu com as milicias interahamwe (paramilitares hutus).
Esses revolucionários criaram um clima de intranqüilidade e uma psicose de guerra no leste congolês. Tropas estrangeiras infernizavam a vida das populações. A Conferência dos bispos da RD do Congo fez um alerta às autoridades congolesas e internacionais, denunciando a presença de militares estrangeiros em território congolês, e condenando fortemente toda violência e proclamando, em alto e bom som, a soberania da nação congolesa. Isso em 2004.
Apesar de todo o clamor do povo e dos senhores bispos, as autoridades nacionais e estrangeiras pouco se importavam com a situação dramática do povo do leste congolês, vitima da violência, das incursões militares em suas cidades e aldeias.
Em 2007, os bispos novamente protestaram, chamando a atenção das autoridades para a triste situação no leste. Em dezembro de 2007, no Memorandum da Conferência Episcopal Nacional do Congo aos participantes da conferência sobre a paz, a segurança e o desenvolvimento no norte e no sul (Kivu), os bispos afirmaram: “O sucesso de uma tal conferência depende do espírito de diálogo na transparência e na verdade, da determinação e da sinceridade dos participantes. Nada se fará, se a conferência não abordar as questões de fundo e em todas as suas dimensões: humanitárias, territoriais, históricas, econômicas, políticas, étnicas, jurídicas”.
Infelizmente, pouco resultado trouxe a conferência de Goma. A intranqüilidade continua na região. As milícias paramilitares continuam apavorando os habitantes do Kivu. Agora mesmo estão em guerra. E o governo não tem força ,nem moral ,para tomar uma atitude enérgica contra esses grupos, pois não tem um exército forte nem coragem de agir, já que está compromissado com os tutsis, que o ajudaram a derrubar Mobutu. Além disso, a penetração dos tutsis no território congolês, e mesmo no próprio governo do país é uma realidade. E eles são os mais interessados na posse dessas ricas terras do leste congolês.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Julgamento de criminosos de guerra é adiado e acirra as discussões sobre a lentidão e impunidade nos Tribunais Penais Internacionais

O adiamento do julgamento dos réus Athanase Seromba e Gaspard Kanyarukiga, acusados de serem responsáveis por crimes contra a humanidade e genocídio na guerra civil de Ruanda, em 1994, deferido pela 3ª Câmara Penal do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, denuncia a complacência com a impunidade dos responsáveis por essa barbárie.
O atentado contra o avião do presidente Habyarimana, em 6 de abril de 1994 marcou o inicio de uma campanha de assassinatos pré-formulados, dirigidos contra a população Tutsi, e também contra Hutus considerados colaboracionistas. O massacre foi caracterizado como a “expressão da colera popular” em conseqüência da morte do chefe de Estado.

De acordo com as investigações do TPIR, o grupo paramilitar Interahamwe, junto com milicianos Hutu, e orientados pelo extinto partido político MDR-Parmehutu (Partido de Emancipação Hutu), elaborou, premeditadamente, um plano para acabar exterminar toda a população Tutsi, pejorativamente chamada de Inyenzi, que significa “barata”.

Mais um milhão de pessoas foram torturadas e mortas longe dos holofotes ocidentais, que se limitavam a filmar, a partir de Uganda os corpos que boiavam no lago Vitória, ou para seguir o êxodo em massa de Hutus, que tentavam se proteger nos países vizinhos.

O julgamento de Seromba chama a atenção por evidenciar a conivência da Igreja Católica Ruandesa durante os massacres ocorridos. Athanase Seromba era um padre da Igreja de Nyange, sendo o pároco responsável pela mesma, à época dos massacres. As acusações contra ele incluem o aprisionamento de centenas de Tutsi dentro de sua paróquia, ludibriando-os com propostas de ajuda contra os ataques dos Hutu, privando-os de comida e condições básicas de sobrevivência. Segundo o Promotor-Chefe do TPIR, Padre Seromba foi, ainda, quem autorizou a demolição de sua igreja, matando todos os que lá se encontravam entrincheirados, tendo acompanhado, pessoalmente, o descarte dos corpos, em valas comuns.